sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O corte e a marca

         A faca passou lentamente entre os dedos. Foi inevitável, jorrou sangue para todos os lados. A profundidade dos ferimentos consumiu um pacote de algodão e muitos litros de água da torneira aberta. Doeu, mas, parou! 

        Depois veio o inchaço, o dolorido, a sensibilidade ao toque. Não dava para pegar nas coisas, nem mesmo as atividades mais simples e corriqueiras eram fáceis. Por vezes, batia raiva do descuido!

        Os dias foram passando, a pele foi engrossando e já dava para tocar um dedo cortado no outro. A pele machucada saía lentamente. A dor estava ficando para trás. As vezes, nem parecia que tinha sido tão doloroso.

        Um dia, pela manhã, não havia mais separação na pele. "O buraco fechou". Ficou uma marca de risco, meio branca, meio amarela que não quer me deixar. Todos os dias eu olho para ela e lembro de todo o processo. Já não dói mais!

        Marcas, não é fácil conviver com elas. Nem sempre são doces lembranças, embora eu ria de muitas delas e me sinta um idiota completo. Eu sempre me corto!

     Mas, as marcas contam histórias, relatam momentos e eternizam evoluções. Como a gente vai caracterizar cada uma delas? Só sentido, passando a mão sobre e mentalizando o retorno de toda a construção.

         Não existe doçura nas marcas e esse não é um texto sobre o corte.    

domingo, 18 de julho de 2021

A prisão da Liberdade

Desembarca na próxima parada 
Não sabe o próximo caminho 
Vai rompendo a tristeza calada
Que o seu peito processa sozinho

Embalado em versos ouvidos
No passar do largo da vida 
Preferiu viver escondido
Da chance de escolhido

Por medo, talvez a razão
Forjada em que liberdade?
Não sabe se anda bem livre
Ou se corre sentindo saudade

E quando alguém chega forte
Balançando o caminho de errante 
Se esconde na falsa certeza
Que o mundo não é sufocante

sábado, 22 de maio de 2021

Justificado

         Não que seja necessário, ou que tenha pedido. Na real, deve ser coisa de gente que passou a vida na sala de aula e foi obrigado a colocar presença, falta ou justificar. A verdade é que eu sempre dei lugar e sentido a tudo na minha vida.

        Os flash's que passam e fazem o vai e vem das lembranças, colocam a gente, além da condição de analisador, na condição de julgador do que virá e nisso você acertou profundamente.

        Durante muitos anos eu me preocupei com a falta. Para mim, falta era uma noção de não agrado. Quem faltava, na minha visão, simplesmente não gostava e isso me preocupava. Com o passar do tempo, a falta foi ganhando outro sentido. Falta começa com ausência, passa para saudade, se transforma em lembrança e quando a gente vê, nem se lembra que faltou.

        Um vez eu li em um determinado blog que iria passar, que a vida iria cuidar de fazer esquecer as mil e uma reclamações para comer, as birras de fim de tarde, as teimas sobre assuntos políticos e os vídeos remixados do youtube. Pic é o melhor de todos! E, verdade, o tempo cuidou disso!

        E de vez em quando, não se sabe por qual razão, motivo ou circunstância, a gente aparece, espia ali e aqui, fica feliz, se diverte, dá risada e acha fofas as fotos, sempre muito bem planejadas. 

        É justificada a falta, o projeto que não seguiu e a vida que não aconteceu. É justificado a ausência, a falta de vontade de escrever e até mesmo as vezes que o tal do ouvinte aparece lá, de surpresa, calado, mas, fazendo um barulho danado. 

        É legal a forma como tudo isso se desenvolveu. É legal também a falta e tudo que ela representa. Mas, acima de tudo, é legal ver que a falta nem é tão ruim assim, na verdade ela completa uma presença que não ocorreu. 

domingo, 9 de maio de 2021

Presente

         Presente! Eu sempre estive por aqui. Todos os meses, pelo menos uma vez, eu teimava em ir lá e ficar com o coração em pausa a cada atualização, muitos meses elas não vieram e eu até sabia o motivo. Sim eu sei da pequena, sei das várias viagens a praia e das muitas vezes que os finais de tarde foram estressantes, eu acompanhei tudo como um ouvinte, aquele aluno que não está na lista mas, que vai a todas as aulas.

        Era absurdo o quanto eu sentia falta das conversas, das teimas sem sentido e das mensagens que eu te enviava de manhã, a tarde e a noite. Sim eu vi as fotos dele, vi a montagem do jurassic park e achei o nome super legal. Também fiquei muito feliz em saber que você virou professora definitivamente, acho que você nasceu para fazer isso. 

        Eu também acho que não sou muito diferente dos demais, embora as pessoas insistam em dizer isso, assim como acho que você fez certo em não responder as cartas e as mensagens desesperadas daqueles dias, eu havia fantasiado muita coisa.

        No mais, os mil e um motivos do começo já nem existem mais, eu era sincero sobre aquela situação e talvez fosse difícil para você acreditar, e ainda bem que não acreditou. 

        Sabe o que é o mais interessante disso? Foi o jiu-jitsu que me salvou e eu te devo essa! Eu recomecei, do zero mesmo sabe? Fiz questão, embora minha academia inteira tenha me condenado por isso, voltei ao inicio para reconstruir, não o esporte, mas, eu mesmo e não é que vem dando certo.

        Eu sofri muito para entender que mais uma vez deu errado, mas, foi você mesmo que me disse que existem pessoas passageiras, talvez eu seja uma delas. 

        Embora eu ache que ainda continuarei presente aqui e ali, também serei breve e além da saúde te desejo muita amor, é sobre ele toda essa história. 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Feriado

Nas fotos que você deixou
           Nas lembranças que você me deu
        Das chances que o tempo levou
   E da saudade que tanto doeu

              Das mensagens com tanta saudade
     Dos pedidos com tanta certeza
    Só sobrou a imensa verdade
             De um amor com tamanha pureza

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Nos batemos

É estranho encontrar alguém que a gente sabe que deveria está longe. É desconfortável conversar com alguém que antes passávamos horas de diálogos e agora não conseguimos dizer mais que um oi.
Nós temos a mania de enquadrar as relações em modelos que podem ser guardados e expostos, sempre que somos questionados.
É estranho também como a gente não sabe a razão, mas, não quer encontrar algumas pessoas. E quando isso ocorre a sensação é tão estranha que a gente fica se perguntando como tudo mudou.
A gente se bateu dessa vez e não soube o que fazer ou como agir. Na essência da minha timidez, me calei!
Um dia, alguém falou sobre marcas do passado e eu achei que era viagem de gente alternativa, essa galera meio hippie e meio executivo de novela mexicana que se encontra nos happy's da vida para falar de energia positiva enquanto degusta cervejas importadas de grandes empresas europeias. Eu nunca tive paciência para essa turma e você sabia disso!
Na verdade, eu não tenho o que dizer depois do dia em que eu virei a esquina e entendi que essa parada de ser na verdade é decidir. 
Talvez seja isso, a gente tem dificuldade de falar com pessoas que decidiram antes da gente e por essa razão se afastaram.
Por enquanto, ainda não consegui decidir. Têm umas contas para pagar, uns medos para vencer e umas coragens para criar na frente da decisão e quer saber, elas estão cumprindo bem o papel de desculpa.
De resto, eu continuo achando lindo a forma que você sorri e essa mania de repreender as pessoas com o olhar. Existe uma frieza delicada nessa sua maneira de agir que nem todo mundo consegue entender.